«Como deixamos escapar este jogo?»
«Como deixamos escapar este jogo?»
Foi com esta pergunta que Louis van Gaal acabou a partida que ditou a vitória por 5-3 para o Leicester frente ao Manchester United a contar para a 5ª Jornada da Premier League 2014/15, depois dos «Diabos Vermelhos» estarem a vencer por 1-3 até aos 62′ minutos de jogo.
Louis van Gaal sabe as respostas todas, também não precisa que ninguém lhe explique nada, não fosse o treinador holandês uma velha raposa do futebol mundial.
Contudo, deixar aqui a ressalva para um facto que me parece ter tido o seu cunho pessoal em particular: a contratação de Daley Blind.
O versátil – muito diferente de eficiente – futebolista holandês oriundo do Ajax e filho de Danny Blind, certamente que tem os seus méritos enquanto jogador, mas.. 18 (?).. 18 milhões?
Tu sabes que não vale, Louis.
Não vale..e provavelmente nunca valerá sequer metade – que me prove que estou enganado que serei o primeiro a reconhecer o seu mérito.
Até lá, van Gaal terá que explicar por que é que gastou 18 milhões num jogador que na melhor das hipóteses seria opção de banco num contexto competitivo como o inglês – quer pela versatilidade, quer por algumas potencialidades técnicas inerentes ao seu jogo – mas nunca uma figura de primeira linha, num clube, também ele, reconhecido pela sua excelência.
Sendo certo que os problemas que a utilização – quase obrigatória – de Daley Blind na equipa inicial do Manchester United acarretam, não explicam, nem de perto, nem de longe, tudo o que tem acontecido de mal neste início da aventura de Louis van Gaal por Manchester – ainda tenho esperança que meta a mão na consciência porque de futebol sabe ele -, fiquemos com breves registos que visam fundamentar o supracitado:

Embora o estilo de jogo padrão do campeonato inglês tenha vindo a sofrer alterações com o decorrer dos tempos, a Premier League continua a ter uma componente física e de eficácia em situações de disputa aérea extremamente forte, principalmente no que concerne aos elementos da linha mais recuada.
Ora, Blind não tem uma coisa nem outra, em 10 abordagens a lances de disputa com contacto aéreo, perde 8 ou acaba como retrata a imagem acima: a apanhar sol.
Repare-se, por favor, como Blind atrasa a bola para o seu Guarda-Redes:

Para a próxima mais vale rematar para a própria baliza e não expor a sua equipa e os seus companheiros ao erro, neste caso, o Guarda-Redes que terá que fazer obrigatoriamente uma recepção com grau de dificuldade técnica elevada e a contar já com a pressão do adversário contrário em cima.
Atentemos agora ao seguinte momento de transição defensiva rápida do Manchester United, olhemos para o tempo de jogo e para o posicionamento de Blind:



Do instante ilustrado acima decorreu o primeiro golo do Leicester, com uma série de erros de outros elementos da linha defensiva do Manchester United à mistura, mas foquemos sobretudo nos sensivelmente 7(!) segundos que Blind demorou desde o momento inicial retratado na primeira imagem até chegar à sua Grande-Área na última.
Agora, Blind armado em professor a dar ordens aos seus companheiros e de costas para a bola/lance:

Blind roda e fica de frente, mas só depois da bola ter saído..e já está batido pelo homem do Leicester:

Blind novamente a decidir bem, muito bem aliás, sempre ponderado e bastante consciente, tem uma opção de passe viável e sem pressão em cima ou tempo e espaço para controlar e conduzir..mas resolve fazer o quê? Isso, aliviar sem critério com o seu pior pé, a bola nem saiu do meio-campo defensivo do Manchester United e o Leicester viria a recuperar a posse na sequência:

Para onde estás a olhar, Blind? Para o posicionamento dos teus companheiros da linha defensiva a ver se nem precisas de correr para trás? Muito bem, outra vez:

Deste lance resultaria o penállti que deu o segundo golo ao Leicester devido a uma falha na abordagem de Rafael, de qualquer forma importa focar a atenção sobretudo no nosso objecto, 8 segundos depois, Blind lá se deve ter lembrado que era preciso correr, porque um adversário resolveu entrar no espaço – acontece que pelo facto de Blind só começar a correr depois do adversário, chegou já com a frente do lance perdida como ilustra a imagem seguinte:

Mexe-te Blind, não estás a ver que vai dar asneira e é preciso fazer alguma coisa?

Blind? Blind? Estás ai? Então? Não te mexes? Nem para trás, nem para a frente, nem para o lado, nem para cima, nem para baixo?
Cobertura, dobras e essas tretas já ouviste falar? O teu pai não te ensinou? Então pergunta ao Louis que ele sabe o que é:

Na sequência do instante acima, repare-se agora na dança entre Blackett, Rojo e Blind, maravilhosa, dêem a mão uns aos outros para ser ainda mais bonito:

Pensavam que era tudo? Estão muito enganados, na sequência Blind ainda vai dançar no ar com um companheiro da sua própria equipa, espectacular (!):

Ainda não está bom? Então olha, isso mesmo Blind, mete-te assim de lado para ver se a bola passa melhor ou então aproveita e vai correr atrás do adversário para a bandeirola de canto:

Então Blind? A tua equipa é a vermelha! Estás a festejar o golo dos azuis? Ah..não? Então? A reclamar com os teus companheiros? Está certo. Eles não sabem jogar futebol, tu é que sabes, ensina para a gente ver como é, professor:

Saiam da frente que Blind vai acelerar à sua velocidade máxima e começar a correr para recuperar no terreno em transição defensiva rápida(!);

Então, caraças? Estás a ser ultrapassado pelo árbitro, Blind? Não acredito (!):


A tua equipa está empatada a três golos, tem a bola com obrigação de ganhar, depois de já ter estado a vencer por 1-3..e tu estás a fazer amigos, Blind? Muito, mas mesmo muito bem:

Vrruumm..Vrruumm, lá vai arrancar Blind para tentar ir na compensação a uma perfeita asneirada do seu companheiro:

Vrruumm? Vrruumm? Então arrancou à frente e primeiro, Rooney já está quase a chegar e Blind nem aparece na imagem?
É melhor ires fazer uma revisão ao motor, Daley – e ainda dizem que o Wayne está gordo.. imagina se não estivesse:

Uma das coisas que mais gosto no futebol é quando um jogador me surpreende, quer pela negativa, quer pela positiva, porque é nesse processo que sinto estar a aprender algo com o mesmo.
Eu até gostava de acreditar que Blind um dia me poderia surpreender pela positiva, mas sei que muito dificilmente isso irá acontecer.
E nem é preciso recuar muito no tempo (Ajax 1 – 3 PSV – 24/08/2014) para perceber que há coisas que nunca vão mudar.
Blind perde a bola, ou escorregou porque o passe foi mal feito, não interessa..e Blind arranca primeiro e à frente do árbitro:

Blind é ultrapassado pelo árbitro e já desistiu do lance.. golo para o PSV:

E sim, lembram-se de Blind a dançar com o seu novo companheiro do Manchester United? Também no Ajax tal acontecia.. e golo para o PSV:

Perguntará agora o leitor, «mas quem é este palhaço que está para aqui armado e a tentar ser engraçado?».
Não se trata de ser palhaço, nem de ser engraçado, trata-se antes de levar o futebol de alto rendimento com a seriedade que merece, ainda para mais um desafio com a dimensão do Manchester United.
E Louis van Gaal não foi sério em muitos momentos do processo da sua ida para Manchester, não podendo, por isso, querer que agora as coisas funcionem como deviam.
À pergunta «Como deixamos escapar este jogo?» lançada pelo técnico holandês.. eu responderia com outras duas: «Para que serve essa testa afinal, Sr.van Gaal? Não é para ter juízo? Já tem idade, sabedoria, experiência e conhecimento suficientes para isso».
Tu sabes que eu sei que ele sabe que nós sabemos. E eu também sei que tu sabes mas não queres saber.
23 Setembro, 2014
