V..de Vitória
V..de Vitória

Sem entrar em delongas ou chouriçadas jornalísticas magnificentes e pomposas, dizer apenas: Parabéns Rui Vitória Sport Clube.
Absurdamente fantástico o trabalho sustentado, consistente e competente que tem vindo a ser desenvolvido em Guimarães nos últimos anos, tudo feito com orçamento de tostões..porque para jogar futebol só é preciso uma bola e alguém que saiba o que fazer com ela.
Dito isto, fiquemos com alguns momentos dos primeiros minutos do jogo que opôs o Rui Vitória SC ao Futebol Clube do Porto a contar para a 4ª Jornada da Liga Portuguesa 14/15 e que retratam, mais coisa menos coisa, os moldes em que se disputou o resto do encontro findado empatado a um golo:

Pontapé inicial e primeira posse do jogo para o Porto, com passes laterais e para trás, 13 segundos foi o tempo que durou até o Vitória recuperar a bola e expor a equipa forasteira a uma situação delicada; atacar sem bola é isto:

Indi toca curto em José Ángel, efectuando de seguida uma tentativa de desmarcação no espaço para dar linha de passe ao seu companheiro, linha essa inexistente como se subentende na imagem acima, expondo dessa forma o último reduto da sua equipa – se o lateral portista não tivesse rodado para fora e deixado a bola sair, o FCP ficaria em situação delicada com grandes probabilidades do Vitória SC criar a primeira ocasião flagrante de golo.
E sem precisar de ter a bola para tal.
Com o Vitória SC a condicionar fortemente a primeira fase de construção portista, a equipa de Julen Lopetegui procurava arranjar soluções – uma das dinâmicas mais frequentes durante esta fase inicial do jogo com vista a explorar a profundidade em ataque rápido, devido às dificuldades impostas pelo adversário em organização ofensiva, foi a seguinte:

Quintero faz aproximação em apoio frontal, arrastando consigo o Lateral-Esquerdo do Vitória na marcação.
Rúben Neves em diagonal dentro-fora entra no espaço entretanto deixado livre, com Jackson, arrastando a marcação do Defesa-Central/Esquerdo vimaranense, a surgir em apoio frontal como «pivot» para em primeiro toque lançar Rúben Neves na profundidade – o toque/passe entretanto acabou por sair demasiado ao corpo do médio do Porto e o Vitória conseguiu ajustar os posicionamentos:

Sempre numa óptica semelhante:

Fica Rubén Neves e vai Casemiro:



O Porto sentia grandes dificuldades a progredir em posse, Casemiro baixa para a linha defensiva, com os dois médios de transição (Herrera/Rúben Neves) a jogarem de costas para o jogo e com contenção imediata e em cima dos adversários:

Casemiro que de resto nesta fase inicial de adaptação a Médio-Defensivo e a desempenhar as tarefas que o treinador portista pretende, não se pode precipitar tanto nas suas decisões com bola por forma a conferir outros índices de consistência e eficácia nas saídas, caso contrário, o Porto deve procurar outro tipo de dinâmicas e soluções que permitam resguardar o jogador brasileiro – com uma opção completamente válida, bate chutão na frente:

Com mais do que uma opção, Casemiro não se sente confortável a colocar passes de ruptura de linhas adversárias.
Devido ao pânico entretanto gerado pelos condicionalismos provocados pelo Vitória SC, o Médio-Defensivo portista acabou por tomar a pior decisão de todas ao tentar o passe para Jackson e a acabar por meter a bola em André André:

Rúben Neves como ilustrado na imagem não sabe se vai se fica e com isso queimou uma opção de passe.
André André devia pensar em mudar o seu nome para André André André André André, já que não valeu por um nem dois, mas por 5 ou mais, participando em todos os momentos do jogo da sua equipa com uma sobranceria digna de craque; magnífico até quando os seus companheiros falhavam:

Deste momento inicial que poderia resultar em grandes problemas para a sua equipa devido a uma falha de Bernard, André André conseguiu a proeza não só de recuperar a bola, ainda que de forma algo atabalhoada e que o levou a ficar de costas para o jogo, como percebendo depois que parte da sua equipa ainda estava em transição ataque-defesa, e portanto não-organizada para uma saída sustentada e de frente, assim como, o adversário se encontrava em processo de transição defesa-ataque, estando por isso com várias unidades subidas no terreno, conduziu a bola para a linha lateral, utilizou o corpo e conquistou a falta, sempre plenamente consciente das suas acções, permitindo a reorganização da sua equipa e evitando males maiores que dai pudessem advir:

E nem os Pontapés de Baliza do adversário, que para o adepto mais comum podem parecer situações de jogo meramente aleatórias, foram deixados ao acaso pela equipa da casa:

A agressividade imposta pelo Vitória sobre as primeiras fases de construção do Porto, não permitiam a mínima quebra de intensidade dos índices de concentração dos jogadores portistas, como a de Brahimi neste caso, cabisbaixo, olho na relva e a andar como quem vai.. e já foi:

A partir deste momento.. o Porto passou a optar pelo Pontapé de Baliza longo na frente.
Já dei os Parabéns? Já? Então dou de novo.. Parabéns Rui Vitória SC.
18 Setembro, 2014