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Fora da Lei

Fora da Lei

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 Agir dentro das leis pelas quais se rege uma sociedade está fora de moda, sejam elas de que âmbito forem. Respeitar regras, códigos, normas, condutas, ou até valores morais, religiosos, civis, nos mais variados quadrantes, passou a ser coisa para tolos, anjinhos ou ingénuos.
 Ser um fora da lei hoje em dia é sinónimo de esperteza – mesmo que seja saloia.
 Dito isto e espelhando no futebol alguns destes comportamentos, resolvi focar a atenção em determinadas contingências do jogo que nos revelam que por vezes, o mais eficaz e eficiente, diria estratégico, é mesmo infringir ou esquecer que as leis existem.
 Ser um fora da lei pode compensar.. ou não.

 De roubos por esticão a inteligentes, espertos e ingénuos..
 
 Comecemos pelo jogo da Final do Campeonato do Mundo de clubes que opôs o Real Madrid ao San Lorenzo em que Pepe tenta executar, rápida e ingenuamente, um lançamento de linha lateral perto da sua Grande-Área:
pepe1
 Ingenuamente, porque sendo Defesa-Central, a primeira questão a salvaguardar seria desde logo que não falharia o arremesso, mas a bola acabou por escorregar das mãos e entrou dentro das quatro linhas praticamente sem sair daquela zona.
 Perante a delicadeza de tal situação, Pepe ainda hesitou num primeiro instante entre cometer uma ilegalidade ou deixar o jogo correr, percebendo posteriormente com a aproximação do adversário que a infracção seria a melhor (re)solução, cabeceando a bola lançada por si próprio de maneira a forçar uma paragem no jogo e evitar males de maior uma vez não havia companheiros nas imediações mais próximas:

pepe2
 Pegando agora noutro exemplo relativo ao mesmo jogo, por vezes compensa cometer ilegalidades sem que ninguém veja, que o diga o Defesa-Central do San Lorenzo que roubou por esticão um golo praticamente certo a Benzema.
 O Avançado francês ficou com a sua camisola no estado que retrata a imagem abaixo sem que ninguém, os que decidem e mandam, tenham reparado:

benzema
 Nota igualmente para mais um assalto por esticão – inteligente já que o Defesa do San Lorenzo, ou a sua equipa, tinha mais a ganhar do que a perder com a ilegalidade -, desta feita demasiado evidente para que os que decidem e mandam conseguissem fingir que não viram.
 Nem precisou de advogado, o amarelo foi por demais evidente:

ronaldoestica
 E quando o ingénuo é aquele que não comete nenhuma ilegalidade e por causa disso prejudica-se não apenas a si, mas também a equipa? É o caso de Pizzi no golo que ditou o afastamento do Benfica da Taça de Portugal:
pardo1
 Se permitir que um jogador com a capacidade de explosão e controlo de bola de Pardo arranque uma primeira vez, ainda é admissível, até por Pizzi estar longe do raio de acção, deixar que arranque segunda vez no mesmo lance, quando Pizzi já está perto, afastando-se para nem incomodar, chega a ser crime – isto sem falar do comportamento de Cristante ou da linha defensiva a 3 do Benfica, mas isso são outras questões.
 Era Pizzi quem devia pagar a multa por excesso de velocidade de Pardo:

pardo2
 Depois também há aqueles que se acham mais espertos que os outros – a tal esperteza saloia – e para disfarçarem erros seus, tentam culpar terceiros para ver se cola.
 É o caso de Otamendi em jogo que opôs o Eibar ao Valência a contar para a Liga Espanhola:

otamendi
 Procurou sair bonito de uma situação em que o mais ponderado era simplesmente aliviar o perigo, como resultado, perdeu a bola fruto do bom desarme do Avançado contrário, rebolando pela relva como se tivesse partido as duas pernas:
otamendi1
 De repente, lá reparou que ninguém foi na sua conversa e curou-se por milagre. Entendeu que tinha mais a perder do que a ganhar com todo aquele teatro, tentando reentrar no lance – tarde de mais e em vão:
otamendi21
 Por último há ainda a categoria dos sonsos, moralmente exigentes com os outros, mas pouco coerentes consigo próprios quando ninguém está a olhar, marcando golos a qualquer custo por essa vida fora.
 É o caso de Rijad Bajic, jogador do FK Zeljeznicar da Bósnia, que parece que levou um tiro na cabeça em disputa com um adversário:

bajic1
 Mas não..:
bajic2
 Percebendo que não tinha nada a ganhar com o filme, passou de mártir, ou coitadinho com dói-dói, a verdadeiro «Walker, o Ranger do Texas», enganando tudo e todos:
bajic3
 Marcou o golo e ficou com força e energia para dar pontapés em postes e arrancar as redes da baliza, tudo numa questão de poucos segundos:
bajic4

 Arranjar uma forma legal de contornar ou interpretar as leis, ética e moralmente inclusive, para benefício próprio, é a melhor maneira de levar tanto o futebol quanto a vida.. que o digam os advogados. Os do diabo e os outros.


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