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«Timing Estratégico»

«Timing Estratégico»

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 Depois de muitos anos de experiência a coadjuvar, Leonel Pontes assumiu esta temporada ao serviço do Marítimo a sua primeira aventura enquanto figura principal.
 Com um início de época interessante em que a equipa insular tem vindo a conseguir demonstrar e assimilar o cunho pessoal do seu treinador no que a dinâmicas de jogo diz respeito, o clube madeirense segue por estes dias na 9ª posição da Primeira Liga a apenas 3 pontos das lides europeias.
 Dito isto e pegando no jogo que opôs o Sporting Clube de Portugal ao Club Sport Marítimo a contar para a 8ª Jornada da Primeira Liga Portuguesa e que terminou com a vitória por 4-2 (3-0 ao intervalo) da equipa lisboeta, ficam abaixo pequenas notas relativas a um momento específico do jogo, mais precisamente os 15 minutos iniciais da 2ª Parte em que os ilhéus conseguiram gelar momentaneamente Alvalade:

 A jogada que acabou por ditar em – segunda instância – o primeiro golo do Marítimo neste encontro, teve início numa perda de bola de Jonathan em momento ofensivo, com Edgar a recuperar e a conduzir aceleradamente para lançar o contra-ataque da equipa madeirense:
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 William mal na abordagem, não conseguiu travar a iniciativa de Edgar, expondo-se a si e à equipa – até pela forma como ficou orientado – quando o problema era manifestamente outro:
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 Esta iniciativa do Marítimo viria a resultar em golo apenas num momento posterior, numa altura em que o Sporting até já havia conseguido transitar defensivamente, ainda assim e para o que me importa aqui tratar, repare-se na igualdade que costumo chamar de «igualdade dominante», que só não foi avante porque o passe de Edgar saiu demasiado ao corpo do colega e menos para o espaço, perdendo-se o tempo exacto para que Alex pegasse na bola e a conduzisse para cima da linha defensiva do Sporting com o intuito de aproveitar este instante.

 Após o primeiro golo e já a pensar num segundo, Leonel Pontes dava as primeiras indicações a Dyego Sousa (Avançado-Centro) no banco de suplentes:
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 A jogada abaixo ilustrada, nasce de um pontapé de baliza de Rui Patrício, com o Marítimo a conseguir recuperar a posse e a lançar um ataque-rápido:
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 Jonathan precipita-se e salta da linha defensiva para ir na pressão ao portador da bola adversário, William orienta-se da forma retratada acima, mais preocupado que a bola entre em Danilo do que com as suas costas, quando, mais uma vez, não era manifestamente esse o problema – a linha avançada do Sporting estava já a transitar e portanto Danilo iria ter pressão caso o passe fosse direccionado para si.
 Daqui resulta o golo do 3-2 para o Marítimo:

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 Nota para a artimanha em que o Sporting estava a cair; Edgar (no papel extremo-direito) recuperava a posse em zona mais baixa, Maazou caia no espaço entretanto deixado por este, com um dos médios de transição (Alex ou Fransérgio) a dispararem para o espaço frontal deixado por Maazou, tudo feito num registo mais próximo ao 4x3x3.
 A equipa lisboeta era exposta constantemente a situações como a que retrata a imagem acima (3×3) sempre que o Marítimo recuperava a bola, agravadas pelas falhas de coordenação defensiva, principalmente entre Jonathan e William com a restante linha mais recuada.


 Leonel Pontes não retarda a substituição e nem um minuto depois do golo do 3-2, altura em que a equipa estava extremamente confiante e o adversário absolutamente deprimido, sem conseguir entender o que se estava a passar, faz sair Edgar (no papel extremo-direito) e manda a jogo Dyego Sousa (Avançado-Centro) – talvez na ânsia de criar ainda maior superioridade sobre o meio-campo do Sporting(?).
 O Marítimo abandona o registo mais próximo ao 4x3x3 com triângulo de base subida e passa a actuar num sistema mais perto ao 4x4x2 losango:

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 Com esta alteração, a linha avançada do Marítimo desfez o 3, assim como, perdeu a capacidade de explosão e condução acelerada de Edgar, passando a actuar com dois homens mais denunciados na frente (Maazou/Dyego) e um losango intermédio rotativo com Ibrahim, Alex e Fransérgio a poderem aparecer/desempenhar à vez a posição «10», enquanto Danilo ficava na zona «6» no seu registo mais posicional:
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 Carrillo faz borrada e mete a bola em Dyego, mas para que se perceba a tendência do jogo do Marítimo nesta nova abordagem, repare-se como quando a bola chegava à frente a equipa não desenvolvia progressivamente, precisando de esperar pela chegada do 3º elemento em cobertura (que eu chamo apoio atrasado), neste caso o «nº10» Ibrahim.
 Essa pequena diferença na dinâmica facilitava igualmente o trabalho ao Sporting que assim tinha mais tempo para corrigir ou ajustar:

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 Jonathan esse, nem vale a pena comentar, tem ainda muito para evoluir defensivamente – entender que a referência é o Defesa-Central do seu lado e a baliza, e não a bandeirola de canto e a linha lateral, será um bom começo.

 Não disponho do mesmo tipo de informação que Leonel Pontes, nem tão pouco tenho metade do seu conhecimento técnico, mas se me perguntarem se concordo com o «timing» da alteração estratégica que efectuou?
 Não concordo, ainda para mais numa altura em que era evidente a superioridade do Marítimo perante um Sporting atarantado.
 Sempre ouvi dizer que em equipa que ganha não se mexe. E o Marítimo (ainda) não estava a ganhar.. mas estava mais perto.


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