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Dois Testes..Duas Finais

Dois Testes..Duas Finais

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Portugal caiu com estrondo frente à toda-poderosa Alemanha no primeiro jogo desta Fase de Grupos do Mundial 2014, seguindo-se agora duplo embate com Estados Unidos e Gana que equivalem a duas verdadeiras finais.
Abaixo, fiquemos com o registo de alguns momentos do jogo que colocou frente-a-frente Americanos e Africanos, procurando antever algumas das contingências que a Selecção Portuguesa irá encontrar nos derradeiros desafios que se seguem:

Mobilidade Africana vs Ingenuidade Americana

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Se por um lado a Selecção Portuguesa pode e deve aproveitar a ingenuidade do momento defensivo americano – se não conseguir é porque nem merecia ter chegado até ao Brasil -, por outro, a equipa liderada por Paulo Bento, deve ter em conta no embate frente ao Gana, a grande dinâmica do momento ofensivo dos africanos, móveis, muito rápidos a explorarem profundidade, laterais bem projectados, desmarcações semicirculares e com os homens da frente em permuta posicional constante – a ratice de 3.Gyan, a parelha da irmandade Ayew e 9.Boateng, que pode actuar de início ou saído do banco, assim como, a irreverência de 7.Atsu, são um verdadeiro tormento:
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O Gana tinha a lição bem estudada e sabia que era do lado esquerdo da defensiva americana que estava o seu ponto-fraco:
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Repare-se na imagem abaixo por que zonas andava 7.Beasley com 15.Beckerman a ser obrigado a servir de pronto-socorro e a colar na sua linha-defensiva para cobrir as costas do seu companheiro – muito competente nesses momentos, o médio-defensivo americano muito fez, mas acabou por nem sempre conseguir chegar a tempo para apagar o fogo que os constantes desposicionamentos de 7.Beasley provocavam.
Nota ainda para os dois jogadores mais avançados dos USA (8.Dempsey e 9.Jóhannsson) que raramente participaram nesta fase defensiva e deixavam muitas vezes espaços frontais que podiam ser explorados para remates de média-distância ou para fazer jogo com a aproximação dos médios vindos de trás:
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Precipitado e extremamente ingénuo, desligando-se com facilidade da restante linha defensiva, os seus companheiros tiveram que estar em alerta constante para garantirem cobertura ao seu Lateral-Esquerdo 7.Beasley.
Referência ainda para a explosão de 7.Atsu, o jogador ganês é muito forte em lances de um-para-um e a disparar diagonais interiores:
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Porque o futebol é tudo menos uma questão de lógica, acabou por ser exactamente a partir do flanco oposto que o Gana conseguiu chegar ao golo do empate: 
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23.Johnson é definitivamente um Lateral-Direito no verdadeiro sentido do termo, melhor a atacar do que a defender – ainda que seja também ele, incomparavelmente mais eficaz em momento defensivo do que 7.Beasley.
Atraído em primeira instância por 10.A.Ayew, abriu uma linha de possível colocação de passe em profundidade por parte do portador da bola – apenas não efectivada porque 19.Mensah é Defesa-Central e não está habituado a ter que tomar este tipo de decisões,  optando por colocar a bola para as costas de 20.Asamoah.
Ainda assim, e apesar de em momento inicial a tomada de decisão não ter sido a melhor, a jogada prosseguiu:
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10.A.Ayew brincou literalmente com 23.Johnson do inicio ao fim da jogada, muito inteligente o ganês, não admira pois que seja um dos melhores jogadores africanos da actualidade.
Bola metida em última fase por 20.Asamoah para a diagonal exterior de 3.Gyan, com 10.A.Ayew a ganhar a frente a 23.Johnson após desmarcação semicircular para aproveitar o toque de 3.Gyan – e..golo.
O Gana pode até nem conseguir passar a Fase de Grupos deste Mundial 2014 – como português oxalá que não -, mas o seu seleccionador Akwasi Appiah está de Parabéns pela forma como montou o processo ofensivo da sua equipa. 

Superioridade Lateral e Igualdade Frontal

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 Sempre muito dinâmico no seu processo ofensivo, o Gana procurou constantemente criar situações de superioridade lateral e igualdade frontal, intentos muitas vezes mal combatidos pelos Estados Unidos que assim ficavam expostos – 7.Beasley, sempre ele, se for o escolhido, Portugal tem nele um bom factor de exploração :
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A Dinâmica Intermédia Americana

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Apresentando-se em 4x4x2 tradicional, os Estados Unidos têm em 4.Bradley e 15.Beckerman o seu equilíbrio – enquanto o primeiro surge mais dentro de um registo de organizador e principal construtor do processo ofensivo, o segundo evidencia-se pelo comprometimento e determinação com que vai a todos os lances na ânsia de cobrir espaços e companheiros em situações defensivas:
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E lá vai 15.Beckerman cobrir o seu Defesa-Lateral Esquerdo 7.Beasley:
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E mais uma vez..
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No que concerne às alas, 13.Jones surge dentro de um registo de trinco quase puro adaptado a Médio-Esquerdo e 11.Bedoya um verdadeiro Médio-Ala Direito – bem acompanhado pelo Defesa-Lateral daquele lado 23.Johnson nos desdobramentos ofensivos –  com capacidade no lançamento de transições rápidas e eficácia na aproximação à área adversária: 
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Na frente, claro está, 8.Dempsey, o melhor jogador norte-americano da actualidade, sempre muito importante na forma como tenta ligar o meio-campo com o ataque nas costas do Avançado – 17.Altidore, está lesionado e em dúvida ou 9.Johánnsson num registo menos potente e explosivo.

As Inevitáveis Precipitações e Desconcentrações Africanas

 
Embora a defensiva ganesa tenha sido muito pouco testada neste confronto com os Estados Unidos, ficaram, ainda assim, registos das típicas e inevitáveis precipitações/desconcentrações de um futebol sempre muito perfumado, mas, também ele, muitas vezes demasiado primitivo em termos de abordagem, como é o caso do africano:
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11.Muntari é um dos jogadores ganeses com maior rodagem e experiência, mas nem esse factor foi suficiente para evitar uma entrada em jogo absolutamente desastrosa:
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Depois de falhar num primeiro momento, 11.Muntari ainda falhou num segundo, esboçando corrida atrás do adversário ao invés de abordar o espaço – mesmo que não desse para recuperar o erro inicial, pelo menos passava a ideia de que sabia o que estava a fazer.
Mas não sabia, por estar completamente noutra após o árbitro dar o apito inicial – Muntari sabe mais e melhor do que demonstrou.
Por fim, nota para outro momento em específico protagonizado por 4.Opare:
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O Defesa-Lateral Direito ganês tem o adversário completamente dominado, de costas para o jogo, para a baliza e para os companheiros, e o que resolve fazer? Uma abordagem ao corte como se o jogador americano estivesse prestes a marcar golo.
Resultado? Transformou uma jogada em que 13.Jones estava de frente para a bandeirola de canto e sem apoios num livre lateral potencialmente perigoso a favor dos Estados Unidos.

Em jeito de balanço e remate final, fica a sensação que se Portugal conseguir actuar como equipa – algo que nunca foi no embate com a Alemanha – tem potencial técnico e experiência quanto baste nas suas fileiras para pelo menos dar uma razão de orgulho a este país à beira-mar plantado.
Que saibam ser Portugueses.


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