Milhões ali tão perto
Milhões ali tão perto
No próximo dia 10 de Dezembro o Sporting CP terá pela frente um dos maiores desafios europeus dos últimos anos, defrontando em pleno Stamford Bridge o Chelsea FC de José Mourinho a contar para a última jornada da Fase-de-Grupos da Champions League 2014/15.
Sendo certo que o Schalke 04 está obrigado a vencer o Maribor se quiser lutar com o Sporting pelo apuramento, é o clube português quem tem que fazer pela vida e desenhar a sua sorte para passar à ronda seguinte da prova milionária.
Embora o Chelsea já apurado e com o 1º lugar do grupo garantido deva proceder a alterações numa óptica de gestão de esforço de algumas das suas unidades, até pelo aproximar do período natalício de alta intensidade a que a Premier League obriga, resolvi, ainda assim, pegar nos primeiros 45 minutos do jogo respeitante à 13ª Jornada do Campeonato Inglês que opôs o Sunderland ao Chelsea e retirar algumas notas breves – talvez não importe tanto os intervenientes mas sim as ideias:
Cesc, «El Comandante»
Fàbregas assume neste Chelsea de Mourinho o verdadeiro papel de comandante, participando activamente em todos os momentos de jogo, seja de bola corrida, seja na execução de lances de bola parada:

O Chelsea procura sempre que possível dinâmicas intermédias que atraiam adversários por forma a permitir que Cesc surja dentro de um conceito de «homem-livre», com tempo e espaço para enquadrar jogo, conferindo critério e qualidade desde logo às primeiras fases de construção:

Willian e Hazard mostram-se igualmente em apoio à primeira fase sempre que se proporcione, saindo da ala para zonas interiores (laterais soltam-se):


Óscar é quem também pode assumir o papel de organizador, libertando Fàbregas que assim surge em linha mais adiantada/entre linhas adversárias.
Ivanovic na direita já se havia projectado porque Hazard procurou espaço interior. Willian em zona interior com Azpilicueta a ter ordem para se soltar e avançar sobre a esquerda:

Diego: A referência móvel
Diego Costa é a grande referência atacante da equipa, mas nem por isso o seu raio de acção se limita a zonas frontais da Grande-Área à espera que a bola chegue, participando em toda a manobra ofensiva.
Aqui lançado por Fàbregas num estilo mais directo e de contra-ataque/ataque rápido:

Na situação seguinte surge em apoio frontal a Óscar, com Hazard e Willian em zonas interiores e os laterais Ivanovic/Azpilicueta soltos e abertos a darem largura.
Hazard explora o espaço entretanto deixado por Diego:



Agora repare-se como Diego abandona várias vezes a zona de referência para que o espaço deixado seja aproveitado ora por um dos Médios-Ala em zona interior (Hazard/Willian), ora pela aproximação de um dos Médios Centro (Fábregas/Óscar):




Muita mobilidade, muitas permutações, Diego, Óscar, Hazard, Willian e Fàbregas, e ainda Matic em segunda vaga a testar média-distância, foram os elementos mais propensos a aparecerem em situação de finalização a quem se juntaram os laterais Ivanovic/Azpilicueta a aproveitarem espaços através de diagonais fora-dentro.
O Sporting terá que manifestar sobretudo preocupações zonais em momento defensivo, se cair demasiadas vezes no erro de marcação e atracção individual, irá sofrer as consequências dessa postura.
Chelsea: Uma máquina (im)perfeita
Colocar primeiros passes de transição criteriosos e de qualidade, assim como, manter mais do que um homem para a frente da linha da bola, será determinante para a estratégia do Sporting na abordagem a este jogo.
Se cair no erro de assumir um bloco demasiado baixo com frequência, meramente especulativo e sem qualquer intenção de contra-atacar, o Chelsea sufocará a equipa portuguesa:

Poder de explosão nas alas do Sporting, com a bola a ser colocada directamente no espaço, para aproveitar o balanceamento ofensivo dos laterais do clube inglês em simultâneo, por vezes excessivo e sem grande razão de ser, poderá ser um dos estratagemas a adoptar para surpreender a equipa de José Mourinho:



A qualidade do processo de transição ofensiva rápida do Sporting será preponderante para o aproveitamento e respectivo sucesso da equipa portuguesa neste embate:

Em momento defensivo organizado o Chelsea aproximou-se ao 4x4x2/4x4x1x1:

Embora menos provável, pode ser igualmente possível o Sporting aproveitar algumas falhas momentâneas, como a retratada abaixo, em que a linha média do Chelsea opta por uma pressão subida, não sendo acompanhada pela linha defensiva, com os intervenientes neste caso a revelarem alguma desorientação e descoordenação. Atrair linha média e fixar linha defensiva:

Quanto ao momento particular das bolas paradas, obviamente que o Sporting terá que ter muita atenção em situações defensivas pelo poder de jogo aéreo que se reconhece à turma inglesa.
Nesta amostra simples, Terry faz-se ao primeiro poste para um primeiro desvio, Ivanovic aborda zona frontal e Matic o segundo poste. Cahill dança com o adversário e Diego fica para segunda bola:

Tarefa muito complicada para o Sporting, mas não impossível, até pelo jogo não assumir carácter decisivo para o Chelsea e constituir-se como um dos maiores desafios dos últimos anos para o clube português.
4 Dezembro, 2014
