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BVB: Echte Liebe

BVB: Echte Liebe

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 Com 9 derrotas em 15 jogos, o Borussia Dortmund segue no 16º lugar da Bundesliga a apenas um ponto do último lugar e a vinte e cinco do primeiro.
 Depois de muito se ter especulado, e continuar a especular, em torno da má campanha realizada pelo clube alemão nesta quase meia-temporada, principalmente a nível interno, várias dúvidas pairam no ar: Terá Jurgen Klopp perdido mão na equipa? Será falta de dedicação ou qualidade dos jogadores? Actos de bruxaria encomendados têm feito com que as folhas do boletim clínico do clube fiquem consecutivamente cheias de casos? O que se passa afinal com os «Schwarzgelben» para estarem tão longe da performance que seria expectável no início da temporada?
 Um exemplo de amor verdadeiro que vive por estes dias uma fase de melancolia e borboletas na barriga.

 Insanidade: Fazer a mesma coisa e esperar resultados diferentes
 
 Pegando no jogo da Jornada 15 da Bundesliga que opôs o Hertha de Berlim ao Borussia Dortmund e que ditou a 9ª derrota destes últimos no presente exercício – tornando os «auri-negros» na equipa com mais derrotas no campeonato alemão até ao momento – fiquemos com pequenos excertos do dito encontro:
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 Subotic toca em Hummels que entrega em Mkhitaryan em apoio frontal. Schmelzer quase na mesma linha dificulta a tarefa do jogador arménio que irá tentar colocar a bola no seu Lateral-Esquerdo mas acabará por perdê-la. Dois jogadores do Hertha caem imediatamente em cima e não dão hipótese, nem tempo, nem espaço:
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 O jogador do Hertha opta por dar na cobertura ao invés de tocar simples no seu colega a efectuar movimento de trás para a frente, podendo transformar aquela situação num 2×2:
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 Vejamos agora as semelhanças com o início do lance que ditou o primeiro e único golo do encontro para o Hertha:
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 Subotic, aberto, nesta primeira fase de construção, toca em Blaszczykowski que surge em apoio frontal.
 Um simples virar de pescoço de Gundogan para controlar o posicionamento do adversário foi fatal, não se apercebendo do que viria a acontecer, ou seja, que Blaszczykowski já em jogo depois da saída de Mkhitaryan por lesão, ficaria, tal como na imagem anterior o jogador arménio, impossibilitado de enquadrar com os tais dois homens do Hertha em cima sem darem tempo, nem espaço para nada.
 Kehl de frente e a ver tudo, não antecipou, ficando numa linha de passe atrás de Gundogan, ao invés de assumir um posicionamento mais próximo ao retratado na imagem acima, o que não só serviria para se mostrar a Blaszczykowski – até porque Hummels ficou sempre demasiado longe e recuado -, como tornaria mais eficiente a transição defensiva rápida que se iria suceder:

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 Subotic, hesitou entre correr quase de forma paralela à linha lateral e proteger imediatamente as zonas interiores. Hummels, por seu turno, ficou sempre demasiado longe de tudo desde o momento inicial, facilitando a vida aos jogadores do Hertha que assim conseguiram colocar a sua velocidade máxima no espaço – bastaria uma abordagem, ou até a presença minimamente ameaçadora de Hummels, mais perto do lance, para que os jogadores do Hertha travassem de alguma forma, nem que fosse mentalmente, logo nesta fase, a sua iniciativa e permitissem a recuperação posicional dos restantes elementos do Borussia em superioridade nesta transição.
 Assim, com espaço e tempo, obviamente que não tiveram qualquer problema em seguir:

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 Finalmente Hummels..:
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 Inteligentemente, o jogador do Hertha, e também por ter espaço já que Kehl ainda estava em recuperação – a quantidade de problemas que tinham sido evitados se em momento inicial Kehl tivesse optado pelo posicionamento sugerido na primeira imagem ou Gundogan não tivesse virado o pescoço (?) – obrigará Hummels a ter que rodar apoios e orientação, num verdadeiro «já-foste»:
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 Ver um defesa com a categoria de Mats Hummels ficar a assistir de «cadeirinha» ao golo do adversário, chega a ser frustrante:
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 Sim, é demasiado fácil falar e bater neste momento, mas ver uma equipa com a dimensão competitiva do Borussia Dortmund, a dançar, neste caso Kehl que havia recuperado em esforço sem nunca se conseguir orientar efectivamente para abordar o lance e o guardião Langerak, torna a realidade ainda mais distorcida:
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Ansiedade: Se não foi golo, nunca mais vai ser
 
 Com toda a carga psicológica que uma sequência de derrotas, tal como de vitórias, por motivos diametralmente opostos, trazem para aquilo que é o rendimento de uma equipa, note-se por exemplo, na imagem abaixo e apenas enquanto ilustração da ideia, como os jogadores do Borussia quase de forma inconsciente se expõem a perigos desmedidos na ânsia de chegarem ao primeiro golo que lhes permita depois abordar o jogo de forma completamente distinta ou com outro tipo de confiança relativamente ao seu desfecho:
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 São 6 os jogadores do Borussia dentro da zona de finalização adversária e atrás de uma mesma linha, mais um elemento a transitar, enquanto o Hertha, já com bola recuperada e controlada, tem tempo e espaço para a toda velocidade explorar esta superioridade (5×4) verificada logo em momento inicial de transição.
 Mas o problema, a nível de ansiedade, é mesmo quando a bola não entra, e parece que nunca mais vai entrar, senão vejamos, Ciro Immobile momentos antes, havia feito um cabeceamento com grau de dificuldade de execução técnica elevado, que só não resultou em golo devido a uma defesa meritória do guardião contrário.
 Pouco depois, numa altura em que o coração já mandava mais que a razão – neste Borussia isso tem tanto de bom como se pode revelar prejudicial -, não parecia o mesmo jogador e numa situação de fácil execução, faz isto:

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 Resultado?
 Ciro Immobile nem acredita no que acabou de fazer:

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 Se Immobile nem quer acreditar no que acabou de fazer.. Klopp nem quer acreditar no que acabou de ver:
klopp

 E o problema do Borussia Dortmund em muitos momentos tem sido esse, ter deixado de acreditar, ou por outra, ter começado a duvidar demasiado com a ansiedade que dai acaba por advir.
 Depois de uma primeira metade de temporada que foi uma verdadeira «festa da cerveja», espero, sobejamente, não só em nome de todo um trabalho de excelência que foi desenvolvido pela equipa técnica chefiada por Jurgen Klopp nos últimos anos, como também, de uma massa adepta de respeito, capaz de fazer vibrar até o adversário, que o desfecho deste verdadeiro romance, já sem hipótese de ser perfeito, deixe de ser melancólico e possa, pelo menos, ser feliz. Continuo a acreditar que será.




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