Home » Análise Técnica » Leões vs Lobos

Leões vs Lobos

Leões vs Lobos

wolfsdost


 Perante aquele que terá sido um dos jogos mais emotivos da 1.Bundesliga Alemã até agora – ou mesmo o mais emocionante – e que ditou a derrota caseira do Bayer Leverkusen frente ao VfL Wolfsburg por quatro bolas a cinco, resolvi tirar algumas notas relativas à partida, focando, sobretudo, a atenção no clube da Wolkswagen em vésperas do início da eliminatória a contar para os 16-avos-de-final da Liga Europa com o Sporting CP:
 Vieirinha: TGV – Train à Grand Vitesse
 
 Se Bas Dost com o «poker» alcançado foi o nome que soou mais alto, Vieirinha com as suas assistências não foi menos importante na missão de desmontar o Leverkusen de Roger Schmidt:
vieirinha
 Da imagem acima resultaria o primeiro golo do Wolfsburgo, nascido num lançamento de linha lateral do lado oposto ainda no seu meio-campo defensivo.
 Os «Lobos» livraram-se da «pressão-zona» exercida pelo Leverkusen e colocaram posteriormente a bola em Vieirinha para que este transportasse jogo através de uma acção de condução acelerada sem oposição até às imediações da área adversária:

vieirinha2
vierinha1
 Este tipo de situação repetiu-se várias vezes ao longo do encontro e não foi por acaso que o jogo começou praticamente da mesma maneira que acabou – cruzamento de Vieirinha e golo de Bas Dost para o 0-1 inicial e o 4-5 final:
vieirinha3
vieirinha4
 Largura sempre mal controlada pelo Leverkusen deixando constantemente o flanco exposto a situações de 2×1:
vieirha4
vierinha6
vieirinha7
vieirinha8
 Bas Dost: Referência de Golo
 
 A passar por um bom momento de forma, foram 4 os golos que o avançado holandês de 25 anos, Bas Dost, impingiu ao Leverkusen – 2 de pé direito, um de cabeça e um de pé esquerdo, sempre com instinto, sentido de antecipação e agressividade no aproveitamento de espaços de finalização.
 Contudo, a sua importância na manobra ofensiva da equipa vai muito para lá do momento final, como se pode constatar:

dost
dost1
 É para a zona e raio de acção de Dost que as bolas são direccionadas quando o Wolfsburgo não consegue sair de forma apoiada e tem que optar por um estilo directo:
dost2
dost4 (!)
dost5
 Nesta situação, sai da zona de referência e baixa no apoio frontal a Vieirinha em mais uma das incursões do jogador português na profundidade:
vieirinhaschurrle
 Nota para o facto de Schurrle entrar no espaço entretanto deixado por Dost enquanto De Bruyne dá largura – permutações entre Schurrle e De Bruyne foram uma constante durante o jogo.
 De Bruyne: Mobilidade Virtuosa
 
 Kevin de Bruyne será porventura – ou certamente – o jogador mais virtuoso do Wolfsburgo e assume grande preponderância em toda a manobra de jogo ofensivo da equipa.
 Móvel e versátil, tecnicamente dotado e fisicamente capaz, aparece ao longo do encontro a desempenhar várias tarefas – neste jogo tanto surgiu sobre a esquerda permutando com Schurrle, nas costas de Dost por zonas mais centrais num registo próximo ao de 2º Avançado e, menos frequente, mas igualmente, sobre a direita permutando com Caligiuri:

bruyne baixa
 Baixando no apoio a esta entrada de 2ª fase de construção:
bruynebaixa1
 Note-se na imagem acima a precipitação de Rodriguez que vai na profundidade sem salvaguardar que a sua equipa não perderia a posse, a distância do lateral do lado oposto Vieirinha e dos Defesas-Centrais Naldo e Knoche que dificultariam uma hipotética reacção à perda e ainda a movimentação cruzada de arrastamento de marcações e exploração de espaços entre Arnold – de trás para a frente – e Schurrle – da frente para trás.
 A jogada acabaria com falta do jogador do Leverkusen sobre De Bruyne por forma a não permitir que o astro belga enquadrasse o lance – mas também poderia ter resultado numa recuperação de bola para a equipa da casa e consequente exposição do Wolfsburgo.

 De Bruyne a surgir mais uma vez em apoio desta feita a Vieirinha no flanco oposto, com Arnold – médio do lado da bola – a aproximar:
baixa
 O Wolfsburgo tem bons executantes técnicos capazes de jogarem ao primeiro toque, depois do 1×2 entre Vieirinha e De Bruyne, a equipa consegue sair da «pressão-zona» exercida pelo Leverkusen com Arnold a soltar em Luiz Gustavo que irá tentar inverter o flanco ao jogo – é ele o «pivot de inversão apoiada» mais utilizado nestas situações:
baixa2
 A turma liderada por Dieter Hecking está bem oleada para o lançamento de transições ofensivas rápidas, apoiadas ou mais directas, aproveitando com precisão e eficácia espaços e carências adversárias no momento da sua transição defensiva.
 A título de exemplo esta tentativa de exploração directa da profundidade oferecida pelo Leverkusen:

profund
 Duas Linhas.. Uma Passadeira
 
 Se ofensivamente o Wolfsburgo até evidencia boas potencialidades, já defensivamente deixa algo (muito) a desejar, não sendo por acaso que os 0-3 verificados ao intervalo se tenham esfumado num 4-4 aos 72′ minutos de jogo:
2linhas
 Oponente enquadrado e com espaço para executar com qualidade, Naldo está a subir no terreno atraído por um adversário.
 Da imagem acima, dá-se esta segunda:

2linhas1
 A equipa ficou exposta na retaguarda a uma igualdade que por pouco não resultou em golo para o Leverkusen.
 Foi possível observar o Wolfsburgo a defender com a última linha partida em duas (!):

2linhas2
 Atente-se na imagem abaixo que resultou no 2-3 para o Leverkusen e que teve origem num passe longo de Papadopoulos bem antes do meio-campo:
2linhas4
 O 4-4 para o Leverkusen iniciou-se num lançamento de linha lateral efectuado por Vieirinha no seu meio-campo ofensivo direccionado para a Grande-Área adversária.
 Alivio aleatório do defesa-central do Leverkusen – repare-se por onde estavam espalhados Naldo, Knoche, que saiu praticamente de dentro do primeiro terço do seu campo para abordar o lance e Rodriguez:

222
 Para piorar a situação Knoche falhou completamente tempo de salto/abordagem ao lance..:
2111
43
 Fica difícil não sofrer..
2linhas3

 A resposta imediata à perda também não se demonstrou a melhor, se o Leverkusen tivesse conseguido ser mais eficiente e eficaz na sua «pressão-zona», principalmente na primeira parte, o Wolfsburgo – que teve mérito na forma como a foi conseguindo evitar – iria passar pior do que acabou por passar na BayArena:
transdef
 Pouco rigor no controlo de uma superioridade potencialmente perigosa do adversário no seu meio-campo defensivo:
4411(1)

 Dificuldades na interacção entre linha média e defensiva:
lgustavo
 Knoche larga a sua posição e vai na pressão ao portador numa tentativa de desarme, Luiz Gustavo e Arnold em momento algum se preocuparam em fechar o espaço entretanto deixado pelo seu colega, optando por uma atitude passiva de corrida ao longo da linha lateral sem qualquer efeito prático – contenção mal feita por Knoche, portador com demasiado espaço, permitiu cruzamento para a área:
lgustavo1
 Bolas de Jogo
 
 O Wolfsburgo possui nas suas fileiras mais do que meros executantes, especialistas na execução de bolas paradas.
 Rodriguez, De Bruyne, Perisic, Arnold, Vieirinha ou até Naldo (livres frontais) são um verdadeiro perigo, tornando cada lance de bola parada em autênticos testes de fogo para os oponentes – possuem igualmente bons cabeceadores – Naldo, Luiz Gustavo, Knoche, Dost.
 O Wolfsburgo consegue resolver qualquer jogo com recurso a este momento pelo que os adversários não podem (devem) conceder o mínimo de veleidades na hora de cometerem faltas.

 Já nas bolas paradas defensivas «os Lobos» demonstraram sobretudo preocupações com o homem – zona apenas ao primeiro poste:
hxh
 Pese embora a elevada estatura e argumentos no jogo aéreo de muitos dos seus intervenientes, foi notória alguma falta de agressividade na abordagem a este momento defensivo – livres laterais e cantos.
 Por último, nota para as exibições pouco consistentes de dois bons Guarda-Redes como Benaglio e Bernd Leno que acabaram por ter alguma influência no avolumar do marcador.


Translate »